Dificuldades com transporte e armazenamento encarecem o preço da banana no Estado

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Problemas com logística de transporte, armazenamento e o ataque de pragas está atrapalhando o crescimento da produção de banana em Rondônia. Engenheiros Agrônomos da Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), ouvidos pelo G1, também apontam como gargalos a falta de políticas públicas que incentivem e organizem a produção.

Em entrevista, o engenheiro agrônomo José Edny acompanha a produção da banana há pelo menos 40 anos. Ele lembra que o auge no estado foi simultâneo ao Cacau, pois muitas vezes a banana é utilizada em consórcio com outras culturas.

Com o declínio da produção de cacau, resultado de pragas como a vassoura-de-bruxa, a banana acabou decaindo junto.

Edny explica que, atualmente, a banana de fritar tem a maior produção no estado. “As pessoas na nossa região têm preferência na produção da banana de fritar porque além da questão das pragas e doenças. O transporte é pela estrada, mas as estradas não são boas e como a banana de fritar é mais resistente, casca mais grossa, se opta por ela”, conta.

O engenheiro agrônomo e extensionista da Emater, Rafael Cidade, destaca que a presença de doenças nas lavouras prejudica os rendimentos.

“A banana é uma cultura predominante da agricultura familiar. Nós temos que considerar duas situações: o paladar da população no consumo e a questão de doença. A gente vê aqui na região de Porto Velho muito ataque de pragas e doenças”.

As duas principais doenças que atingem os pés de banana em Rondônia são a Sigatoka-negra, que provoca mortalidade e não desenvolvimento e o “mal do Panamá”, que atinge principalmente a banana-maçã.

Pesquisadores desenvolveram variedades resistentes a essas doenças, mas de acordo com Cidade, o consumidor percebe diferença no sabor e acaba reclamando.

Os produtores abandonam o plantio de banana-maçã porque o custo de produção, incluindo gastos com defensivos contra as pragas, fica muito alto e não é compensado na hora de vender.

Nesse contexto, quem se dá bem são os produtores de outros estados, como Minas Gerais e São Paulo, onde o controle dessas pragas é melhor e conseguem oferecer a fruta com regularidade aos grandes supermercados de Rondônia.

Como resultado, a produção local acaba sendo comercializada em feiras e pequenos mercados e parte vendida na Bolívia, Acre e Amazonas.

Um dos fatores que encarecem o preço final ao consumidor é o valor agregado pelos atravessadores. Os técnicos justificam esse valor pelo risco envolvido na comercialização da fruta. Por ser um produto perecível, a comercialização tem de ser rápida e se o produto não é vendido, se perde.

Rafael Cidade explica que quase toda a produção vem da agricultura familiar, que não tem veículos para transporte nem câmara fria para armazenamento e conservação. Daí a necessidade do dessas pessoas que levam o produto nas propriedades rurais até os mercados consumidores. “Se não existe o atravessador, como o produtor vai sair da sua propriedade pra chegar no comércio?”, questiona.

Com dezenas de anos nessa área, Edny lamenta que produção em Rondônia não tenha se sofisticado nos últimos anos. Ele atribui ao atraso nas técnicas e falta de incentivo do poder público à comercialização com barreiras.

“Falta qualidade. A banana daqui é pequena, a embalagem deficiente, se coloca nos caminhões elas ficam batidas, não tem seleção. É um sistema de produção muito arcaico de maneira que é pouco competitivo”, critica.

“O estado de maneira geral tem que buscar a verticalização dessa banana. O Equador é um grande polo que distribui pro mundo e a gente vê que é um modo diferente. Não vem nesses caminhões carregados, mas já são em caixas acondicionadas, passam por tratamento, processo de limpeza pra chegar aquela banana com selo de qualidade”, compara Rafael.

O relatório mais recente, do mês de abril de 2019, revela que foram quase 100 mil toneladas colhidas na safra 2018/2019. Atualmente a área plantada está na faixa de 6 mil hectares.

Nessa época do ano, mais um fator contribui para uma baixa na produção. A falta de chuvas regulares impede o crescimento vigoroso das frutas, que perdem espaço no mercado.

A variação dos preços pago aos produtores entre os municípios do estado se deve a diferença entre a procura e a oferta.

Na última pesquisa semanal divulgada no mês de julho pela Emater, a diferença do preço da banana de fritar pago ao produtor chegou a R$ 1,25. Das bananas nanica, maçã e prata foram de R$ 1,50, R$ 0,90 e R$ 1,71, respectivamente.

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