Grupo Matsuda é acusado de comprar terras da união no Flor do Amazonas

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A compra venda de lotes em terras da União, dentro e no entorno do Projeto do Assentamento Flor do Amazonas, a cerca de 40 quilômetros de Porto Velho, deve ser apurada pela Polícia Federal após denúncias feita por assentados à Comissão Pastoral da Terra (CPT) e à Procuradoria da República, em Rondônia.

Cerca de dois mil hectares de terras contínuas pertencentes à União Federal e ocupadas em processo bastante polêmico por fazendeiros e madeireiros estariam sendo negociados por um ex-servidor do Incra estadual, Lenil José Sobrinho, a mulher Hessa Karla Palácio da Silva, um suposto irmão de um magistrado e por um servidor da secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEDAM), segundo informações.

As áreas localizadas na Linha 3, a onde o ex-servidor do Incra local tenta anexar equivalem em media 460 hectares cada, através de decisão da Justiça Estadual, além de mais 400 hectares onde há famílias assentadas em área totalmente demarcada pelo próprio Incra. No segundo lote posto à venda, figuram como supostos proprietários o cardiologista da Ameron, Luís Henrique, que também, conforme informações, teria terras supostamente griladas na região dos rios Ituxi e Iquiri, no Sul de Lábrea, Amazonas. Além do ex-servidor do Incra, Lenil José Sobrinho e outros.

O terceiro lote, sob o registro de número 19, na descrição cartográfica expedida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) ao Incra estadual, medindo mais de 800 hectares fazem parte contínuas das terras destinadas a assentamentos de famílias no órgão, ao menos 10 a 13 anos. De forma inusitada, a Coordenadoria Executiva de Recursos Fundiários repassou todos os lotes a fazendeiros – madeireiros.

Em documento encaminhado ao Procurador da República, Raphael Beviláqua, há duas semanas, assentados do PA Flor do Amazonas da Linha 3 e das fundiárias do entorno das  terras destinadas a novos assentamentos, a partir do Acampamento Boa Sorte, ao longo da Linha do Taboca,  através da Comissão Pastoral da Terra (CPT), pediram a apuração do caso na esfera federal.

Nessa quarta-feira, 31, em um segundo documento vindo das famílias de assentados, com a suposta recusa do INCRA em rever o processo de desmembramentos que favoreceu os fazendeiros e madeireiros, serão remedidos novos documentos à Procuradoria, concomitantemente, a Policia Federal, Advocacia Geral (AGU) e à Defensoria Pública da União (DPU).

Vários assentados no PA Flor do Amazonas à espera da criação e instalação do  Assentamento Boa Sorte, sob a responsabilidade do INCRA, informaram que, uma equipe não identificada do órgão esteve na região e, supostamente, teria se reunido com dois fazendeiros, além da presença de representantes do Grupo Agropecuário Matsuda, que segundo eles, já teria adquirido as terras sob litígio destinadas ao plantio de milho e soja.

O Grupo Matsuda é detentor de grandes faixas de terras na região de Candeias do Jamari, consideradas as mais férteis da região, além de grandes áreas no Vale do Jamari e região do Mato Grosso. Agora, ampliando suas áreas com terras compradas ao ex-servidor do Incra, Lenil José Sobrinho (que se recupera de uma queda abrupta de um cavalo), do cardiologista Luís Henrique, da mulher Hessa Karla Palácio da Silva e do suposto irmão de um magistrado. De acordo com os assentados, eles podem atingir uma média de 2/3 (Dois Terços) das terras férteis da União.

De acordo com posseiros da União, naquela parte do Estado, Lenil José Sobrinho e Luís Henrique, beneficiados com os desmembramentos das terras previstas a novos assentamentos no PA Flor do Amazonas teriam sido construídas ‘verdadeiras mansões’ com material de construção (telha, tijolo, madeira e cimento) destinado aos assentados do Plano Estadual de Reforma Agrária (PERA).

Um vídeo e fotograma (fotos) feitos dos imóveis da dupla serão entregues ainda nessa semana ao Procurador da República, Raphael Beviláqua, com cópia a Policia Federal e ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), em Brasília.

Fonte: Correio de Notícia


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