Ricardo Oliveira, Nicholas Santos e veteranos ignoram limites e viram exemplos de longevidade

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O esporte de alto rendimento compreende limites. Dentro dessa máxima, praticamente tudo se baseia na idade, na rodagem, no tempo de prática aliado ao desgaste do corpo. Durante muito, acreditou-se que a chegada aos 30 anos decretava o final de uma carreira. Mas o avanço da tecnologia e dos conhecimentos sobre a preparação física têm permitido a atletas estenderem suas trajetórias nos campos, quadras, ginásios e pistas.

E, mais do que isso, permanecerem em excelente nível para disputar medalhas e títulos.

Ricardo Oliveira, 38 anos, soma nove gols na atual temporada pelo Atlético-MG, quatro deles pelo torneio mais importante do continente, a Libertadores. Atacante com faro de gol com passagens por Santos, São Paulo e Milan, entre outros, ele se encontra em um dos melhores momentos de sua carreira.

– Eu consigo dar um sprint de velocidade e o meu corpo obedece. Eu consigo treinar em alto nível e meu corpo me dá essa resposta – disse o jogador no CT do Galo, em entrevista ao Esporte Espetacular e ao GloboEsporte.com.

O 2018 de Ricardo Oliveira já tinha sido muito bom. Com 13 gols, fora vice-artilheiro do Campeonato Brasileiro. Mais do que isso, consolidou-se como um dos artífices do Atlético, cujo elenco é um dos mais valorizados do país.

O goleador, revelado na Portuguesa, atribui sua resistência a uma disciplina espartana. Sem fumar ou beber, Ricardo faz preparação física no clube e muitas vezes em sua própria casa. Também mantém há anos uma dieta saudável.

– São 19 anos de disciplina, de treino forte, de uma consciência profissional, de usufruir de uma estrutura que todos os clubes pelos quais passei me forneceram – comentou.

A proximidade dos 40 não assusta, tanto é que o contrato de Ricardo com o Galo terá duração até o final do próximo ano. Ele é a aposta do clube para voos altos nestas duas temporadas.

– Cronologicamente, eu tenho 38, vou fazer 39 [em maio], mas biologicamente não sinto que tenho tudo isso. A cabeça dá o comando e meu corpo consegue executar. Obviamente, de uma forma diferente de quando eu tinha 20, mas talvez essa experiência toda me dá alguns atalhos. Eu corro menos dentro de campo, mas sou mais efetivo – disse.

O nadador Nicholas Santos, campeão mundial em 2018 — Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

O nadador Nicholas Santos, campeão mundial em 2018 — Foto: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

A idade de Ricardo Oliveira regula com a de outro atleta, de outro ambiente, que também atingiu o auge aos 38 anos. Em outubro, Nicholas Santos bateu o recorde mundial dos 50m borboleta em piscina curta (25m), com a marca de 21s75. Dois meses mais tarde, ele conquistou a medalha de ouro na mesma prova no Campeonato Mundial em piscina curta de Hangzhou, na China.

O paulista Nicholas é, simplesmente, o mais velho campeão mundial da história da natação. Além disso, nos últimos quatro anos, com bem mais de 30 anos, o velocista conquistou duas pratas em Campeonatos Mundiais em piscina longa (Kazan-2015 e Budapeste-2017).

– Eu nunca imaginei que fosse nadar até hoje. Estou com quase 40 anos e ainda competitivo, nadando entre os mais rápidos do mundo – disse Nicholas.

A intenção do nadador é continuar até os Jogos Olímpicos de Tóquio, em julho do próximo ano. E, quem sabe?, estender ainda mais sua trajetória. Diante de tanto sucesso, por que parar?

– Eu nunca tive um resultado da água para o vinho. Sempre meus tempos foram caindo aos poucos. Minha carreira inteira foi assim – comentou.

Nicholas nunca foi um virtuoso nas piscinas. Teve evoluções gradativas, e depois dos 30 anos impôs uma dieta sem glúten, muito ioga e racionalização no treinamento para se manter na ativa. Os ingredientes deram mais do que certo.

– A preparação física é uma coisa totalmente diferente em relação a tempos atrás. Antigamente, a gente nadava oito mil metros, dez mil metros por dia. Hoje, eu não passo de três mil metros por dia – observou.

O diretor do NAR, Irineu Loturco (à direita) — Foto: Ueliton Silva / TV Globo

O diretor do NAR, Irineu Loturco (à direita) — Foto: Ueliton Silva / TV Globo

Além dos esforços individuais dos atletas, a ciência tem contribuído decisivamente para a extensão das carreiras. Avanços nos entendimentos sobre preparação física, treinamento, nutrição, psicologia e recuperação ajudam a compor a equação.

Em Jogos Olímpicos, por exemplo, a média de idade da delegação brasileira subiu de 25,6 na edição de Roma, em 1960, para 27,5 a do Rio, em 2016. Em um plano maior, a média de idade dos participantes de todos os países foi de 25,06 em Seul-1988 para 26,97 no Rio-2016.

– A tecnologia, hoje, nos permite monitorar os atletas com mais precisão. Também nos faz adequar mais as cargas de treinamento e, consequentemente, desgastar menos o atleta sempre em prol de um desempenho melhor – disse o diretor do NAR (Núcleo de Alto Rendimento) de São Paulo, Irineu Loturco.

Provas dessa longevidade no esporte também estão no âmbito internacional. No mês passado, aos 41 anos, o quarterback Tom Brady conduziu o New England Patriots ao título da NFL. Foi seu sexto troféu de Super Bowl. No início de março, Roger Federer, aos 37, conquistou sua 100ª taça como tenista profissional.

– Quando você ama fazer alguma coisa na vida, simplesmente não quer desistir dela. E é assim minha relação com o tênis – afirmou Federer recentemente.

É um sentimento que passa pela cabeça de Serginho, o maior líbero que o vôlei já viu, quase que diariamente. Bicampeão olímpico, bicampeão mundial, ele não deixa o vôlei. Aos 43 anos, defende o Corinthians na Superliga masculina.

– A motivação é o prato principal para um atleta conseguir passar dos 40 anos jogando e jogando bem – disse o líbero.

No time do Corinthians, há outros seis jogadores com mais de 35 anos. Incluindo outro ex-colega de seleção, o levantador Marcelinho, o jogador de vôlei mais velho em atividade no país (44 anos).

– Ah, se eu tivesse a cabeça que tenho hoje com 20 anos de idade… Ter a maturidade que eu tenho, a sabedoria, o discernimento, o conhecimento do meu corpo – brincou Marcelinho.

Quanto tudo isso funciona junto e misturado, não importa a modalidade, os trintões e quarentões parecem não envelhecer. E continuam, cada vez mais, protagonistas.

Serginho e Marcelinho, líderes do Corinthians Vôlei — Foto: Marcos Guerra

Serginho e Marcelinho, líderes do Corinthians Vôlei — Foto: Marcos Guerra

Fonte: GloboEsportes

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