Temos de mostrar a gravidade de sistema penitenciário, diz Bolsonaro

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O presidente Jair Bolsonaro preparou o discurso para convencer os parlamentares sobre a necessidade de aprovar a reforma da Previdência: “Se o pessoal rejeitar, o dólar sobe, a bolsa cai. Temos de mostrar a gravidade da situação”, disse ele durante café da manhã com jornalistas de 11 veículos de comunicação. “Veja o caso da Argentina, que voltou a ter problemas logo depois da aprovação da reforma. Caso nada seja feito, em dois ou três anos, o Brasil pode se aproximar do que aconteceu na Grécia.” O político, entretanto, se mostra otimista com os prazos de tramitação. “Devemos aprovar até o fim do primeiro semestre. Afinal, no Senado deverá ser mais tranquilo.”

A conversa com os repórteres, da qual o Correio participou, começou pontualmente às 8h30 e durou uma hora. Ao falar do caso Marielle, Bolsonaro disse não se lembrar do policial Ronnie Lessa, preso ontem sob a acusação de ter matado a vereadora. “Meu condomínio tem 150 casas. Ali, há uma mulher presa por tráfico internacional de drogas, e outro investigado pela Lava-Jato.” Segundo o presidente, ele ligou para o filho, Jair Renan, para saber se o caçula havia namorado a filha de Ronnie. “Meu filho disse, naquele linguajar deles: “Papai, namorei todo mundo no condomínio, não lembro dessa menina.”

Bolsonaro voltou a comparar o próprio caso, o da facada, com o de Marielle. E disse ter convicção de que Adélio Bispo não agiu por conta própria em Juiz de Fora (MG). O presidente chegou a apresentar algumas ilações como elementos para justificar a existência de um atentado a mando. Primeiro disse que, antes de descer do carro em direção à multidão, não achou o colete à prova de balas, mas, logo depois, disse que não o havia procurado. Sobre o inquérito da Polícia Federal, que aponta que Adélio agiu por conta própria, Bolsonaro avançou e recuou numa mesma frase: “Não posso prejulgar. O delegado que cuida do caso (Rodrigo Fernandes) trabalhou para o governador do PT de Minas. Mas eu também tenho gente aqui que trabalhou com a ex-presidente Dilma”.

No fim, o presidente disse estar bem depois das cirurgias e contou um episódio ocorrido durante a internação: “Fiz exames para verificar as condições do sono. E descobri 89 episódios de apneia por hora (número de interrupções respiratórias no período). Detenho o recorde brasileiro de apneia”. Além do Correio, foram convidados para o encontro Carlos Alberto di Franco (Estado de São Paulo), Carlos Nascimento (SBT), Fernando Mitre (Band), Fernando Rodrigues (Poder 360), Leandro Colón (Folha de S.Paulo), Mariana Godoy (Rede TV), Renata Lo Prete (TV Globo), Rudolfo Lago (IstoÉ),  Thiago Contreira (Record), Paulo Enéias (Crítica Nacional) e Ruy Fabiano. Com Bolsonaro, estavam Hamilton Mourão (vice-presidente), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Floriano Peixoto (Secretaria-geral da Presidência), Floriano Amorim (secretário de Comunicação), Otávio Rêgo Barros (porta-voz), Alexandre de Oliveira (secretário de imprensa), Carlos Franco (chefe do cerimonial), e Célio Farias (chefe da Assessoria Especial do presidente). Confira os principais pontos da conversa.

Previdência

Temos um ponto, que é não aceitar as indicações políticas. Não aceitamos. A minha experiência de 28 anos de Parlamento mostra que (a barganha) não funciona. A nossa ideia pode dar errado, está fadada ao fracasso? Não sei. A minha certeza é de que o que era feito antes estava errado. Como fazer agora? É uma questão de convencimento, um trabalho com os parlamentares para mostrar a gravidade da situação. Estamos no mesmo barco e temos o compromisso de tirar o Brasil da crise. Quanto mais o projeto for desidratado, mais teremos dificuldades. Veja o caso da Argentina, que voltou a ter problemas logo depois da aprovação da reforma. Caso nada seja feito, em dois a três anos, o Brasil pode se aproximar do que aconteceu na Grécia. (Executivo e Legislativo) Têm de jogar junto no ano. Teremos um grande teste em um mês, quando a admissibilidade da reforma será avaliada na CCJ.

Caso Marielle

Não lembro dessa cara (o policial reformado Ronnie Lessa, acusado de assassinar Marielle Franco). Meu condomínio tem 150 casas. No condomínio, há uma mulher presa por tráfico internacional de drogas, e outro investigado pela Lava-Jato. O que tenho a ver com ele? Não tem vida social no meu condomínio. (Sobre o namoro entre o filho de Bolsonaro, Jair Renan, e a filha de Ronie) Meu filho disse naquele linguajar deles: ‘Papai, namorei todo mundo no condomínio, não lembro dessa menina’.

Atentado à faca

Tenho a convicção de que não foi da cabeça dele (de Adélio Bispo). Ao chegar à cidade (Juiz de Fora, Minas), disse a minha equipe que não iria mais enfrentar o povo. Tinham alguns pontos sensíveis, como um edifício. Tinha muita gente. Cheguei a procurar o meu colete, mas não achei. Depois, o encontraram embaixo do banco (Ao ser questionado sobre se ele desconfiava do fato de não ter encontrado o colete, minimizou). Saí sem colete e não me preocupei. Decidi arriscar. (Em relação à investigação da PF) O delegado (Rodrigo Fernandes) foi assessor do governador do PT lá de Minas… Mas isso não tem de discutir. Não vou prejulgar, tem militares aqui que foram promovidos na gestão de Dilma (Rousseff). Se (Fernando) Haddad tivesse sido eleito, militares teriam de estar com ele. Mas o fato é que não foi da cabeça dele (Adélio). Ele criou um álibi com o registro da presença na Câmara em Brasília, esteve antes no lugar em que meu filho praticava tiro. O que aconteceu em Juiz de Fora? Eu já analisava que se continuasse crescendo, iam tentar me derrubar.

Milícias

Lá atrás, a população batia palmas. Mas, na maior parte das vezes, eles (os milicianos) estão contra a população. A decisão do Congresso em fazer uma CPI é do Congresso.

Laranjas no PSL

Lógico que há um desgaste, por isso, é necessária uma investigação que não seja morosa, para não deixar o governo sangrar. Agora, ele (Marcelo Álvaro Antonio, ministro do Turismo) tem amplo direito de defesa, é preciso ouvir todos os lados. Podem ter certeza que uma decisão será tomada, lamento.

Eleição

Não posso dizer que não fiquei surpreso com a minha eleição, pois foi o baixíssimo clero na Presidência. Lembro de um episódio de Manacapuru (interior do Amazonas), no ano passado, e do sentimento da população. Antes da campanha, acertamos com um partido, de graça, e a gente sabe que todos têm interesse. Aos 48 minutos do segundo tempo, fechamos com Mourão para ser o vice. Depois, ocorreu o episódio da facada. E, aí, a campanha parou. As mídias sociais nos alavancaram.

Armamento

Durmo com a arma do meu lado. O Palácio do Alvorada é amplo. A Michelle está acostumada. (Sobre as mudanças nas regras do desarmamento) Um projeto será enviado ao Congresso tratando do porte de armas. As regras não podem ser tão rígidas como antigamente.

Veto a indicações

Dei carta branca para os ministros, mas tenho poder de veto, isso foi acertado (com o ministro Sérgio Moro). Ela (Ilona Szabó, indicada como suplente para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária) não somaria nada ao governo. Moro tinha a posição dele, mas disse que ela só concordava com quem tinha a opinião dela, é favorável ao aborto…

Tuítes

(Ao ser questionado sobre eventual arrependimento pelos tuítes sobre vídeo obsceno no carnaval) O que está feito está feito.

Embaixadas

Só vamos anunciar o nome do novo embaixador depois da visita aos EUA (prevista para a próxima semana). Vamos fazer mudanças em 15 embaixadas, incluindo a França. Mas não posso chegar aos EUA com um bilhete azul (da demissão do atual ocupante do cargo, o embaixador Sérgio Amaral). A certeza é de que vai ser trocado. A imagem no exterior está muito ruim. Não sou ditador, homofóbico, racista. Se fosse, não seria eleito. Na viagem, devemos tratar de questões tributárias e sobre a utilização da Base Espacial de Alcântara (MA). (Sobre a mudança da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém) Estamos conversando com todo mundo, vamos ter calma, ter cautela, está sendo negociado. Não pode “vai ou racha”.

Amazônia

Não podemos correr o risco de inviabilizar o país, de perder a Amazônia. Vamos enfrentar a questão indígena para fazer passar o linhão de energia pela reserva Waimiri Atroari, levando luz a Roraima, que tem uma energia de baixa qualidade vinda da Venezuela. Até porque em Roraima também tem um montão de índio precisando dessa energia.

Fonte: CorreioBraziliense

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