4º Batalhão presta homenagens aos 11 mortos na explosão do quartel de Cacoal em 1982

0
51
SAMSUNG CAMERA PICTURES
Imprimir página

Toda quarta-feira, tornou-se hábito do 4º Batalhão da Polícia Militar em Cacoal tirar alguns minutos do expediente administrativo para um momento devocional. Independente da religião do policial militar, o momento é utilizado principalmente para orações, agradecimentos e reflexões.

Nesta quarta-feira (06), o devocional foi um momento ainda mais especial. Em homenagem aos homens que perderam a vida na trágica explosão do quartel da Polícia Militar, em 03 de fevereiro de 1982, o 4ºBPM preparou uma homenagem junto ao Batalhão, familiares e amigos.

“Nós não podemos jamais deixar de honrar as pessoas que morreram aqui. Foram 10 policiais militares e um cidadão cacoalense que perderam a vida neste local, no cumprimento dos seus deveres. Precisamos honrá-los e não podemos deixar a história do 4º Batalhão de Polícia Militar de Cacoal ser esquecida”, enalteceu Major França, comandante do 4ºBPM.

Na véspera da explosão, Estela Domingues e seu noivo planejavam os detalhes do casamento, definiam os padrinhos, o local da cerimônia. A conversa se estendeu até 1h da madrugada. Às 5h45, o noivo de Estela, o policial militar José Carlos Maçaneiro Buenoperderia a vida em uma explosão que o arremessou a vários metros de distância.

“O corpo do José era o mais inteiro, ele havia perdido a perna, mas os outros estavam aos pedaços. Eu morava perto do quartel, corremos pra cá assim que ouvimos a explosão. Nesse momento eu já sabia que algo de ruim tinha acontecido com ele, pois ele estava de serviço. Quando cheguei, havia pedaços das pessoas por todos os cantos, em meio aos destroços”, emociona-se Estela.

De acordo com as lembranças daqueles que viveram a tragédia, a explosão foi cruel. “Quando eu ouvi o barulho e senti o tremor eu achei que fosse um terremoto. Mas depois me dei conta que terremoto não dá explosão. Foi quando me veio a imagem das dinamites que estavam guardadas no quartel. Corri pra lá e vi tudo destruído, uma imagem cruel”, relembra o 3º Sargento Rodrigues.

O Soldado PM Francisco Rodruigues de Souza Filho estava se preparando para levantar e começar a sua jornada diária de trabalho. O 3ºsargento era o armeiro do quartel de Cacoal. Todos os dias era ele quem limpava e organizava as armas que os policiais usavam em serviço.

“Por alguns minutos, eu também estaria no quartel. Perdi meus amigos! Eu me lembro de ajudar no dia, andar pelos destroços, recolher os corpos. Mas as pessoas dizem que eu fiz isso meio que no automático. Dizem que por uns cinco ou oito dias eu fiquei fora de mim, fora da realidade. Mas eu me lembro daquelas imagens, dos corpos”, conclui o sargento Rodrigues.

Quem também vivenciou a tragédia foi o jornalista Adair Antônio Perin. Ele foi o primeiro repórter a chegar ao local da explosão e a registrar a tragédia. “Era uma imagem muito impactante. Conforme a gente andava no meio dos escombros, a gente encontrava partes de corpos, mãos, pés, dedos. É uma cena que a gente não esquece. Conforme as pessoas iam chegando, a tragédia parecia ficar maior. Era uma comoção muito grande. Cacoal ficou triste por muitos dias”.

Em um dos trechos da reportagem escrita pelo jornalista, em 1982, Adair Perin narrou “As cenas mais chocantes não foram o prédio destruído e casas vizinhas, mas os corpos encontrados fragmentados e espalhados em direção à porta, em uma distância de 150 a 200 metros e outros destroçados sob os escombros. Em sinal de solidariedade, o prefeito municipal, Eng. Clodoaldo Nunes de Almeida, decretou luto oficial por três dias e a população cerrou as portas, não funcionando o comércio, indústrias, rede bancárias e órgãos públicos. Cacoal, com o destacamento militar existente até o dia fatídico, estava de parabéns, pois os militares eram amigos de todos, e quando se fazia necessária a ação estavam prontos para agir com respeito, dignidade e pulso firme”, escreveu o jornalista.

A EXPLOSÃO

No dia 3 de fevereiro de 1982, por volta das 5h45, uma explosão destruiu o Quartel da Polícia Militar de Cacoal. Na época, a Polícia Militar estocava dinamites que a Prefeitura Municipal utilizava para explodir pedras para proceder com o calçamento das ruas. Essas dinamites explodiram em circunstâncias até hoje inexplicáveis, destruindo toda a estrutura física do quartel e ceifando a vida de dez policiais militares e um civil.

Estavam de serviço no dia da tragédia e perderam suas vidas, os policiais 2º tenente PM Rui Luiz Teixeira, soldados Cerival Marcondes da Silva, Antonio Andrade Silva, José Carlos M. Bueno, Orlando Pereira Filho, Lucas Carlos de Oliveira Rocha, Noel Gonçalves de Souza, Antonio Braz de Sousa, Manoel Pessoa e Moacir Ferreira Mendes Filho.

A explosão também vitimou Zedequias Ferreira Domiciano, cidadão cacoalense que desempenhava seu trabalho de vigia em uma serraria, próximo ao quartel, e foi atingido pelos destroços.

Fonte: Assessoria

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here