‘Infiltrado na Klan’ é Spike Lee em grande forma ao discutir racismo com humor e acidez; G1 já viu

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O diretor americano Spike Lee se tornou famoso no final dos anos 1980 ao discutir o racismo nos Estados Unidos através de seus filmes. Em “Infiltrado na Klan”, exibido a partir desta quinta-feira (18) na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o cineasta volta ao tema de forma triunfal, com um de seus melhores trabalhos recentes.

A produção, com estreia oficial no Brasil prevista para o dia 22 de novembro, é baseada na história real (e um tanto absurda) de um policial negro que nos anos 1970 comanda uma infiltração na infame organização racista americana Ku Klux Klan, contada na autobiografia homônima de Ron Stallworth.

Com humor e acidez, Lee constrói pacientemente a narrativa. Na maior parte do tempo, parece apenas um causo curioso, mas aos poucos a ligação com as tensões raciais atuais – que se tornaram mais acirradas após a eleição de Donald Trump à presidência – ficam mais claras.

Um negro na KKK

Para o papel de Ron, o diretor convocou o semi-desconhecido John David Washington (“Ballers”). Filho de Denzel Washington, com quem o cineasta trabalhou inúmeras vezes, o jovem ator entrega uma atuação que funciona muito bem para o tom leve e debochado do filme.

Após um primeiro contato pelo telefone com a organização, o policial usa um parceiro (Adam Driver) para interpretar a si mesmo nos encontros cara a cara com os membros, em um plano que pareceria bobo demais para um filme se não tivesse acontecido de verdade.

No meio do caminho, ele tem tempo para encontrar uma namorada engajada na luta pelos direitos civis e cruzar o caminho de David Duke (Topher Grace), ex-grande mago (algo como o líder) da KKK que declarou apoio a Trump em 2016 – e que ainda tem muitas opiniões sobre a política mundial até hoje.

Topher Grace em cena de 'Infiltrado na Klan' — Foto: Divulgação

Topher Grace em cena de ‘Infiltrado na Klan’ — Foto: Divulgação

Risos nervosos

Mesmo com a tensão de uma missão de reconhecimento dentro de uma organização extremista e racista, o diretor se utiliza do absurdo da história para fazer rir. Eles são pessoas objetivamente ruins, mas tão ignorantes que a maior parte das críticas acontecem através do deboche.

A ironia, no fim, é que mesmo com toda a incompetência na tela, eles ainda persistem nos Estados Unidos, com vozes que chegam até a Casa Branca (algo que é diretamente lembrado ao longo do filme).

No final catártico, enquanto a maior parte das coisas se acertam, o público espera algo dar errado, de alguma forma. Este é um filme de Spike Lee, afinal. Mas desta vez o cineasta usa a normalidade e as imagens dos confrontos em Charlotesville para dar seu recado. A missão contra o racismo – e o extremismo – nunca está concluída. Tanto nos anos 1970, quanto no longínquo 2017.

‘Infiltrado na Klan’ na Mostra

Dia 18/10

  • 21h15 – CineSesc

Dia 19/10

  • 19h10 – Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca 1

Dia 22/10

  • 21h – Espaço Itaú de Cinema – Pompéia 1

Dia 26/10

  • 18h40 – Cinesala

Dia 29/10

  • 14h00 – Espaço Itaú de Cinema – Augusta 1

Fonte: G1

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