Acrimônia – Ela quer Vingança

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Existem filmes que mais intrigam do que esclarecem e esse é o caso de Acrimônia – Ela quer Vingança, longa estrelado por Taraji P. Henson e escrito e dirigido por Tyler Perry (conhecido nos EUA pela personagem cômica Madea). De acordo com a sinopse, Melinda (Henson) é uma esposa fiel, que se cansa de ficar ao lado do marido desonesto (Lyriq Bent) e fica enfurecida quando percebe que foi traída. Só que a história não é bem assim.

Uma das primeiras coisas que o filme estabelece é uma dúvida sobre a sanidade de Melinda. Descrita como explosiva desde a juventude, ela tem atitudes questionáveis durante toda a história e se torna motivo de preocupação da família. Claro, isso poderia ser uma forma de o filme mostrar o julgamento machista da sociedade, e como mulheres têm seus problemas menosprezados (muitas vezes até por outras mulheres). Mas isso nunca fica bem claro em Acrimônia. O roteiro de Perry se aproxima muitas vezes dessa e de outras discussões, mas sempre recua antes de se aprofundar.

Aliás, é possível dizer que ele subverte essa ideia, principalmente quando mostra o lado de Robert (o marido): apesar de ter magoado sua esposa de forma permanente, ele vê a situação de forma totalmente diferente. Ao colocar esse contraponto, Acrimônia brinca com os sentimentos e a lealdade do público: quem será que está certo? Será que ela deveria ter falado sobre o que a incomodava? Ou ele não deveria ter exigido demais dela? São perguntas que ficam o público depois que a projeção termina.

E no meio de tudo isso há Taraji P. Henson, que atua de forma brilhante em todos os momentos. É pelo olhar da atriz que entendemos a dor, a solidão, a fragilidade e a raiva de Melinda. Isso se destaca em uma cena específica que é tão absurda que tinha tudo para cair no lado cômico, mas não há espaço para o riso: Henson coloca tanta potência em sua performance que o único caminho para o público é ficar surpreendido.

Acrimônia escolhe o caminho do absurdo para encerrar sua trama e isso também confunde: não há realmente como saber qual era a mensagem de Tyler Perry ao contar essa história. Talvez fosse falar sobre os perigos de relacionamentos tóxicos, ou sobre como é preciso ter cuidado com os sentimentos das pessoas, mas não há nenhuma certeza aqui. Quando as luzes do cinema se acendem, existem mais perguntas do que respostas e isso pode ser bom ou ruim, dependendo do julgamento de cada um. Mas a provocação é, no mínimo, instigante.

Fonte:Omelete.com

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