Deficiência de hormônios sexuais tem relação com a obesidade e diabetes 2

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Diversos estudos na literatura evidenciam que a deficiência dos hormônios sexuais no homem, em especial a testosterona e a dehidrotestosterona, estão relacionados com maior risco de resistência à insulina, à síndrome metabólica, à obesidade visceral e à dislipidemia. Um exemplo dessa observação é o estudo de Laaksonen publicado no jornal “Diabetes Care”, que acompanhou mais de 700 homens por um período de 11 anos.

Nesse estudo foram observadas que as concentrações basais de testosterona e SHBG (proteína ligadora dos hormônios sexuais) eram menores nos homens que desenvolveram síndrome metabólica ou diabetes 2. Baixos níveis hormonais de testosterona também preveem agravamento significativo da obesidade abdominal. Isso porque a testosterona possui um papel fundamental no aumento da b-oxidação de ácidos graxos nos músculos esqueléticos (queima de gordura pela musculatura) e também atua na melhora da sensibilidade à insulina como mostra o interessante estudo de Scheen AJ publicado no jornal “Diabetes Metabolism”.

Outra observação recente que parece contribuir para o hipoandrogenismo nos homens é a obesidade abdominal. Isso porque o tecido adiposo, sabidamente um órgão endócrino, produz adipocinas como a aromatase (enzima que converte a testosterona em estradiol). Assim, a tendência ao hipoandrogenismo somada a uma elevação da liberação dos glicocorticóides, que é observado em indivíduos obesos, perturba a regulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.

Como já se observou em grandes estudos, como o de Ding publicado no “New England Journal of Medicine”, essas alterações hormonais no sobrepeso levam à diminuição do hormônio luteinizante (LH), o que contribui para um desequilíbrio entre os níveis de testosterona e o seu metabólito, a dihidrotestosterona (DHT). De fato, poucos estudos examinaram a importância da diidrotestosterona (DHT), um androgênio mais potente do que a testosterona. Mas um estudo muito recente publicado no “JCEM” traz uma novidade evidenciando que níveis mais elevados de DHT estão inversamente associados à resistência à insulina e ao risco de diabetes ao longo de 10 anos. Ou seja, neste estudo mostrou-se uma associação clara entre baixos níveis de DHT com maior resistência à insulina e maior risco de diabetes 2.

A mudança no estilo de vida ou a intervenção farmacológica em homens com excesso de peso e/ou diabetes 2 podem trazer grandes benefícios. Estudos mostram que a perda de peso e a prática diária de exercícios físicos aumentam os níveis de testosterona livre e total em homens com sobrepeso, como mostra estudo de Kaukua J.

Ainda, o estudo Diabetes Prevention Program (EUA) sugere que qualquer mínima intervenção de estilo de vida pode ter um grande impacto na diminuição do risco de diabetes 2 em pacientes pré-diabéticos. Além disso, outros estudos mostram que a reposição de testosterona, em indivíduos com deficiência comprovada desse hormônio, melhora a sensibilidade à insulina e melhora da composição corporal. No entanto, vale ressaltar a importância de se fazer acompanhamento médico com o endocrinologista e não utilizar a testosterona em indivíduos que não tenham a deficiência comprovada. O uso indiscriminado da testosterona para fins estéticos pode trazer sérios riscos à saúde do homem e deve ser desencorajado. Maiores estudos randomizados são necessários para elucidar o mecanismo da provável relação entre a DHT e a resistência à insulina.

Fonte: Eu atleta
Imagem Ilustrativa

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